Gincana da Alegria
Mobilização social e educacional envolvendo crianças, jovens e famílias em ações de solidariedade, convivência e aprendizado.
Uma vida em capítulos
Estelita Cristo é pedagoga, psicopedagoga clínica e institucional, professora universitária, escritora e doutora em Ciência da Educação. É também mulher negra, cristã, mãe e filha que cuidou dos pais. A parte da autoridade dela que pesa mais não veio da academia: veio da sala de aula, da gestão pública, dos projetos sociais e de escutar família que só encontrava porta fechada.
Os títulos não explicam Estelita. O caminho explica, e ele começa bem longe do privilégio.
1969
Estelita de Cristo dos Santos nasce em 21 de fevereiro de 1969, em Serrinha, filha de uma professora e de um carpinteiro, numa casa simples com seis irmãos. Antes de Camaçari, a família ainda viveria em Queimadas, sempre em movimento, sempre atrás de oportunidade.
Década de 1970
Ainda criança, Estelita chega a Camaçari com a família. Ali estuda em escola pública, cresce, trabalha e aprende cedo a lição que carregaria para sempre: vencer não é apenas chegar, é permanecer de pé quando falta dinheiro, tempo, estrutura e reconhecimento.
Antes do concurso
Para concluir a graduação, Estelita recolhia os papéis de bala IceKiss que os colegas descartavam, pequenos papéis com frases românticas. Reescrevia as frases com capricho, embalava rosas e as vendia para casais apaixonados nas noites de Camaçari, madrugada adentro, até o sol raiar. Foi assim que pagou transporte, material e mensalidade. Transformou papel de bala em passagem, rosa em mensalidade, madrugada em futuro e dificuldade em diploma.
1994
Aprovada em concurso público municipal, Estelita inicia uma trajetória de mais de três décadas de serviço público em Camaçari, da sala de aula à gestão, sem nunca sair do chão da escola.
Cerca de dez anos
Estelita pausou a própria trajetória acadêmica por cerca de dez anos para cuidar dos pais. Dessa vivência nasceu uma de suas causas centrais: cuidar de quem cuida. Ela sabe, por experiência própria, que o cuidador adoece em silêncio, e que a filha, a mãe, a avó e a cuidadora familiar sustentam casas inteiras enquanto o poder público demora a chegar.
No chão da escola
No Colégio Sorriso e em projetos como o Educação Maior (IPEM), que acolhia crianças a partir de quatro meses com leitura, música e cuidado integral, e o Grito da África em Camaçari, Estelita implantava práticas inclusivas e escuta pedagógica antes de a pauta ganhar vitrine. Gincana da Alegria, Caminhada da Paz, Palavra Molhada, Noite Literária, Dentinho de Leite: onde muitos viam problema, ela criava projeto.
Encontro internacional
Como autora e coordenadora do IEEPIS (Encontro Internacional de Educadores para Inclusão Social), Estelita trouxe a Camaçari nomes como Philippe Perrenoud, Rubem Alves, Nelson Pretto, Cipriano Luckesi, Celso Antunes e José Pacheco. O recado era direto: professores precisam de formação, famílias precisam de acolhimento e crianças precisam de uma escola preparada para recebê-las.
Reconhecimentos
A menina que recolhia papel de bala levou Camaçari para o mundo: reconhecimento internacional em Viena, na Áustria, por trabalhos de inclusão social; o Périplo em Portugal ao lado do educador José Pacheco, referência da Escola da Ponte; palestras na Europa sobre dificuldades de aprendizagem; e o Prêmio COFIC de incentivo à leitura, escrita e oralidade.
Os livros
Autora de "Estimulante Pedagógico", coautora de "Pensando a Educação" e organizadora de quatro edições do livro infantil "Caminhando Bem Alto", feito com as próprias crianças. Publicou artigos sobre ludicidade, respeito e educação conectada, porque quem vive a educação também precisa deixá-la escrita para outros seguirem.

Hoje
Pedagoga, psicopedagoga clínica e institucional, professora universitária e doutora em Ciência da Educação, Estelita dirige a área de Ciência e Tecnologia na gestão pública de Camaçari e segue fazendo o que sempre fez: escutar quem bate em porta fechada e transformar escuta em caminho. A denúncia que move este site nasceu dessa vida inteira: direitos negados não podem continuar sendo tratados como se fossem favores.

Onde muitos enxergavam problema, Estelita criava projeto. Onde muitos viam limite, ela inventava caminho.
Mobilização social e educacional envolvendo crianças, jovens e famílias em ações de solidariedade, convivência e aprendizado.
Adolescentes conhecendo realidades de vulnerabilidade: consciência social, identidade, empatia e valorização das famílias.
Cinco edições semeando a paz, reduzindo a violência e mobilizando a comunidade em torno do bem.
Ação comunitária com empresas do polo para criar uma cortina verde diante do maior complexo industrial da América Latina.
Educação para o trânsito com campanhas para crianças, jovens e adultos, por um trânsito pacífico e sem acidentes.
72 horas ininterruptas de educação lúdica, sem telas: leitura, escrita e oralidade com a escola como espaço de felicidade.
Inclusão e desenvolvimento infantil desde os 4 meses de idade: leitura desde cedo, música, autonomia e cuidado integral.
Uma constelação de projetos, com Dentinho de Leite, Cozinha Experimental e Cores Flores do Brasil, de uma escola viva e afetiva.
Quem saiu recolhendo papel de bala para estudar acabou levando Camaçari para o mundo. Não foi sorte. Foi teimosia, aula por aula.
Premiada na ONU, em Viena (Áustria), pela ABRASA, por trabalhos relevantes de inclusão social.
Incentivo à leitura, escrita e oralidade: reconhecimento a iniciativas educacionais com crianças e jovens.
Autora e coordenadora do Encontro Internacional de Educadores para Inclusão Social, que trouxe a Camaçari nomes como Philippe Perrenoud, Rubem Alves, Nelson Pretto, Cipriano Luckesi, Celso Antunes e José Pacheco.
Experiência educacional ao lado de José Pacheco (referência da Escola da Ponte) e debates na Europa sobre dificuldades de aprendizagem e inovação pedagógica.
Reconhecida pelo MEC como embaixadora de inovações pedagógicas em Camaçari.
Autora: prática educacional e reflexão pedagógica.
Coautora: publicação com autores brasileiros em diversos continentes.
Organizadora das 4 edições, livro infantil feito com as próprias crianças: autoria e protagonismo desde a infância.
“A Chave para um Ensino Vivo” e “Sinal Aberto para o Respeito” (Revista Internacional Minerva); “A Educação no Tempo das Conexões: 5G, humanização e o professor como curador de sentidos” (Anais do VI CoBICET).